segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pílula do Exercício? Que História é Essa?


Há algum tempo saiu na mídia a notícia que alegrou muitos por aí, principalmente os gordinhos (inclusive se eu tivesse visto na época eu seria uma gordinha mais feliz desde aquele tempo!!! hehehe). Essa notícia "anti-depressiva" foi a da criação da "Pílula do Exercício". Aí vai um pouquinho de uma matéria que explica em parte o funcionamento dessa inovação das academias:

"Recentemente, cientistas do Salk Institute for Biological Studies, uma organização de pesquisas focada na biologia e em sua relação com a saúde, publicaram um estudo no jornal Cell sobre os resultados de uma substância que aumenta a capacidade física sem exercícios diários quando testada em camundongos.

A imprensa em geral descreveu essa substância como a "pílula do exercício," potencialmente eliminando a necessidade dos exercícios físicos. Frank Booth, um especialista em inatividade da University of Missouri (Estados Unidos) afirma que o estudo da "pílula do exercício" não testou todos os benefícios conhecidos da atividade física e que tomar a pílula não pode ser considerado um substituto para os exercícios físicos.

Mimética dos Exercícios

No artigo da Cell, intitulado "Mimética dos Exercícios", os pesquisadores demonstraram que as reações AMPK-PPARd, um sistema mensageiro celular, podem ser acionadas por medicamentos ativos orais para melhorar a adaptação ao treinamento ou até mesmo aumentar a resistência física sem exercícios. Entretanto, Booth alerta que alguns dos mais conhecidos benefícios dos exercícios físicos não foram testados no estudo publicado na Cell, incluindo:

  • Decréscimo na taxa de batimentos cardíacos no pico do esforço e em repouso
  • Aumento do volume de sangue bombeado pelo coração em todos os ritmos de exercícios
  • Aumento da capacidade cardíaca
  • Menor pressão sangüínea e resistência arterial
  • Aumento da capacidade aeróbica

Redução dos riscos do sedentarismo

A prevenção dos maiores riscos de doenças crônicas produzidos pela inatividade física crônica também não foi testada. De acordo com Katzmarzyk & Janssen (Can J Appl Physiol 29:90, 2004), a atividade física humana diminui o risco de:

  • Doenças coronarianas - decréscimo do risco em 45%
  • Infarto - decréscimo do risco em 60%
  • Hipertensão - decréscimo do risco em 30%
  • Câncer do cólon - decréscimo do risco em 41%
  • Câncer de mama - decréscimo do risco em 30%
  • Diabetes tipo 2 - decréscimo do risco em 50%
  • Osteoporose - decréscimo do risco em 59%

Substituição dos exercícios físicos

Até que a ativação das reações AMPK-PPARd por meio de medicamentos tenha mostrado todos os benefícios acima listados em humanos, é prematuro utilizar a expressão "mimética dos exercícios físicos" a partir das observações muito limitados mostradas no artigo da Cell, diz Booth.

Booth acredita, baseado em seus mais de 40 anos de experiência na pesquisa das adaptações aos exercícios e à inatividade física, que os medicamentos apresentados irão imitar os exercícios apenas parcialmente.

Para que qualquer "pílula do exercício" combata a inatividade física, a pílula deverá ser poligênica, ou controlar muitos genes ao mesmo tempo; além disso, os medicamentos apresentados não parecem ser capazes de oferecer todos os benefícios da atividade física.

Na opinião de Booth, as drogas utilizadas na pesquisa não provaram conclusivamente ser capazes de substituir os exercícios, contrariamente ao que a mídia relatou.

Benefícios comprovados dos exercícios físicos

Veja abaixo os benefícios mais comuns associados à prática de exercícios físicos e que não foram avaliados no estudo da "pílula do exercício:"

  • Decréscimo na taxa de batimentos cardíacos no pico do esforço e em repouso
  • Aumento do volume de sangue bombeado pelo coração em todos os ritmos de exercícios
  • Aumento da capacidade cardíaca
  • Menor pressão sangüínea e resistência arterial
  • Aumento da capacidade aeróbica
  • Aumento da resistência e da área transversal do músculo esquelético
  • Retardamento da perda de massa muscular e da resistência com o envelhecimento
  • Melhoria do equilíbrio e da coordenação
  • Aumento da flexibilidade
  • Redução da osteoporose
  • Redução do estresse das articulações e das dores nas costas
  • Diminuição dos cálculos biliares
  • Melhoria da função endotelial
  • Diminuição da incidência da isquemia miocardial
  • Menor dano miocardial da isquemia
  • Menor estresse oxidativo
  • Diminuição das inflamações
  • Melhoria da função imunológica
  • Diminuição da esteatose no fígado e da doença do fígado gorduroso
  • Melhoria da sensibilidade à insulina e redução no risco do diabetes tipo 2
  • Menor propensão à depressão, ansiedade, estresse e mal-estar psicológico
  • Melhoria da hiperlipidemia: menor colesterol total, aumento no HDL e decréscimo nos triglicerídios do sangue
  • Melhoria das funções cognitivas nos idosos
  • Aumento do fluxo sangüíneo e neurogênese na circunvolução denteada do hipotálamo
  • Prevenção da perda de volume cerebral nos idosos
  • Retardamento no declínio das reservas fisiológicas com o envelhecimento"

Então... É isso aí! Eu acho que essa saída seria a solução para esses dias intensos de estudos em que a academia ficou de lado! Brincadeirinha... Além de os estudos não estarem concluídos, o medicamento não substituiria a satisfação e a alegria de algumas horinhas na academia (não é?!).

Fonte:

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=cientista-contesta-pilula-do-exercicio-e-diz-que-ela-nao-substitui-atividade-fisica&id=3395

http://www.diabetes.org.br/colunistas-da-sbd/observatorio-cientifico/454-entendendo-a-pilula-do-exerciscio

domingo, 22 de agosto de 2010

Exercício Físico e o Controle da Pressão Arterial


Desde há muito tempo, comenta-se dos benefícios do exercício físico para o controle da pressão arterial, mas os estudos fisiológicos, que comprovam estatisticamente este fato são relativamente recentes. Os trechos que compõe o post foram retirados de um estudo concluído no fim de 2004, por pesquisadores de Pernambuco, vinculados ao Hospital Oswaldo Cruz, da Universidade de Pernambuco.
(...)
"Os mecanismos responsáveis pelos ajustes do sistema cardiovascular ao exercício e os índices de limitação da função cardiovascular constituem aspectos básicos relacionados ao entendimento das funções adaptativas. Esses mecanismos são multifatoriais e permitem ao sistema operar de maneira efetiva nas mais diversas circunstâncias. Os ajustes fisiológicos são feitos a partir das demandas metabólicas, cujas informações chegam ao tronco cerebral através de vias aferentes, até a formação reticular bulbar, onde se situam os neurônios reguladores centrais."
"Os efeitos fisiológicos do exercício físico podem ser classificados em agudos imediatos, agudos tardios e crônicos. Os efeitos agudos, denominados respostas, são os que acontecem em associação direta com a sessão de exercício; os efeitos agudos imediatos são os que ocorrem nos períodos peri e pós-imediato do exercício físico, como elevação da freqüência cardíaca, da ventilação pulmonar e sudorese; já os efeitos agudos tardios acontecem ao longo das primeiras 24 ou 48 horas (às vezes, até 72 horas) que se seguem a uma sessão de exercício e podem ser identificados na discreta redução dos níveis tensionais, especialmente nos hipertensos, na expansão do volume plasmático, na melhora da função endotelial e na potencialização da ação e aumento da sensibilidade insulínica na musculatura esquelética. Por último, os efeitos crônicos, também denominados adaptações, resultam da exposição freqüente e regular às sessões de exercícios e representam aspectos morfofuncionais que diferenciam um indivíduo fisicamente treinado de outro sedentário, tendo como exemplos típicos a bradicardia relativa de repouso, a hipertrofia muscular, a hipertrofia ventricular esquerda fisiológica e o aumento do consumo máximo de oxigênio (VO2 máximo). O exercício também é capaz de promover a angiogênese, aumentando o fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos e para o músculo cardíaco."
(...)
"Modificações no estilo de vida, incluindo exercício físico, são recomendadas no tratamento da hipertensão arterial. Estudo envolvendo 217 pacientes de ambos os sexos, com idade variando de 35 a 83 anos, mostrou que a adesão a medidas não farmacológicas, dentre as quais a prática de exercício físico, promoveu sensível efeito na redução dos níveis pressóricos."
(...)
"A busca de uma explicação para o efeito redutor do exercício sobre a pressão arterial de indivíduos normotensos e, principalmente, hipertensos tem motivado inúmeras pesquisas nas últimas décadas, sendo a redução da pressão arterial diastólica em repouso após treinamento a mais largamente estudada. Os mecanismos que norteiam a queda pressórica pós-treinamento físico estão relacionados a fatores hemodinâmicos, humorais e neurais.
Dentre os fatores hemodinâmicos verificou-se, tanto em ratos espontaneamente hipertensos quanto em humanos, que o exercício físico promove redução da pressão arterial por diminuição no débito cardíaco que está associada ao decréscimo da freqüência cardíaca, uma vez que não foram observadas alterações no volume sistólico. A queda na resistência vascular sistêmica e, conseqüentemente, na pressão arterial seria outro mecanismo alternativo proposto para explicar a queda na pressão arterial pós-exercício. Uma redução significativa nos níveis pressóricos
é conseguida com treinamento de baixa intensidade (50% do consumo de oxigênio de pico). Assim, o exercício físico de baixa intensidade diminui a pressão arterial porque provoca redução no débito cardíaco, o que pode ser explicado pela diminuição na freqüência cardíaca de repouso e diminuição do tônus simpático no coração, em decorrência de menor intensificação simpática e maior retirada vagal."
(...)
"Ishikawa et al. estudaram 109 indivíduos hipertensos nos estágios I e II que realizaram treinamento leve por oito semanas, em academias. Constataram que houve redução significativa da pressão arterial em todos eles; os indivíduos idosos apresentaram menor redução nos níveis pressóricos do que os indivíduos jovens. Não foi observada influência do sexo nos resultados."
(...)
"Indivíduos hipertensos mantêm a redução mais intensa da pressão arterial nas 24 horas seguintes às do exercício. Verificações da pressão arterial em sessões de 25 e 45 minutos após exercício físico, a 50% do consumo máximo de oxigênio, mostraram reduções mais acentuadas após as sessões de 45 minutos. É possível que a queda da pressão arterial nesse caso se deva à diminuição na resistência vascular periférica, podendo ainda estar relacionada à vasodilatação provocada pelo exercício físico nas musculaturas ativa e inativa, resultante do acúmulo de metabólitos musculares provocado pelo exercício (potássio, lactato e adenosina) ou à dissipação do calor produzida pelo exercício físico. Alternativamente, o aumento do fluxo sanguíneo pode decorrer da redução do tônus simpático e o conseqüente acréscimo da vasodilatação periférica, que parece estar relacionada à elevação da secreção de opióides endógenos provocada pelo exercício e que possuem efeito vasodilatador direto."
(...)
"A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda que os indivíduos hipertensos iniciem programas de exercício físico regular, desde que submetidos à avaliação clínica prévia. Os exercícios devem ser de intensidade moderada, de três a seis vezes por semana, em sessões de 30 a 60 minutos de duração, realizados com freqüência cardíaca entre 60% e 80% da máxima ou entre 50% e 70% do consumo máximo de oxigênio."
(...)
"Conclui-se que os efeitos benéficos do exercício físico devem ser aproveitados no tratamento inicial do indivíduo hipertenso, visando evitar o uso ou reduzir o número de medicamentos e de
suas doses. Em indivíduos sedentários e hipertensos, reduções clinicamente significativas na pressão arterial podem ser conseguidas com o aumento relativamente modesto na atividade física, acima dos níveis dos sedentários, além do que o volume de exercício requerido para reduzir a pressão arterial pode ser relativamente pequeno, possível de ser atingido mesmo por indivíduos sedentários."

Retirado de:

Alguns Testes Relacionados a Exercícios

No último post, falei sobre uma calculadora, que indicava o gasto calórico. No mesmo site, existem diversas outros testes, que podem ser feitos on-line mesmo, e que indicam, com certa precisão, alguns dados importantes para a prática de exercício físico. São encontrados alguns dados que servem como referência não só para o praticante, o atleta, mas também para médicos e professores de educação física.
É importante dizer que, mesmo com a referência desses testes, o acompanhamento de nutricionistas, médicos e profissionais de educação física é essencial para melhor desempenho e segurança do praticante.
Seguem os links de alguns testes:

  • Teste de percentual de gordura:

  • Frequência cardíaca em repouso:

  • Necessidade diária de energia:

  • Índice de relação de gordura entre circunferências do abdômen (cintura) e quadril:

  • Tabela com a quantidade de calorias em cada alimento:

  • Teste de avaliação da capacidade cardiorrespiratória (VO2 máx)


Existem no site diversos outros teste, protocolos, guias, que servem de referência, não só para a prática de exercícios, mas também para outras áreas da saúde.

Espero que estes links tenham alguma utilidade, mas sempre lembrando, acompanhamento profissional é indispensável.

abraços.

Gasto Energético

Como já foi dito aqui no blog, exercícios, se praticados de maneira correta, tendem apenas a trazer benefícios. As pessoas, normalmente, procuram os exercícios para perder peso ou melhorar algo específico em sua saúde. Neste primeiro objetivo, sempre paira uma dúvida na cabeça das pessoas: quanto de calorias eu vou perder com cada exercício? Esta não é uma pergunta fácil de responder, e, em geral, varia de pessoa para pessoa.
Mas, tem gente muito curiosa, que quer sempre saber valores. Seguem, então, links de sites que têm uma "calculadora de perda de calorias", que indica, aproximadamente, o gasto calórico total em atividade moderada, baseando-se na massa da pessoa e no tempo de prática de exercício.


Vale a curiosidade.

Abraços.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Resposta Hormonal ao Exercício

Os hormônios são substâncias que são produzidas em glândulas específicas do corpo (glândulas endócrinas) e atuam sobre outros tecidos ou órgãos do corpo (células alvos) com o objetivo de manter a homeostase corporal. Esses reguladores do metabolismo são divididos em esteróides e não-esteróides. O esteróides são lipossolúveis e, com isso, passam facilmente através da membrana citoplasmática, sendo que seus receptores encontram-se dentro da célula. Os não-esteróides não ultrapassam a membrana, e é nela que encontram-se seus receptores.

Para as diversas situações a que o organismo é submetido, há diferentes respostas hormonais associadas. O exercício físico, sendo uma situação de estresse ao organismo, já que diversas funções e necessidades orgânicas (principalmente energéticas) são alteradas, serve de estímulo para a secreção de determinados hormônios e de fator inibitório para outros. Vamos citar alguns hormônios para melhorar o nosso entendimento metabólico do exercício.


Hormônio do crescimento humano

O hormônio do crescimento humano (GH ou somatotropina) possui liberação controlada por um hormônio hipotalâmico (fator de liberação do GH). Dentre as suas funções, algumas são o aumento de captação de aminoácidos e da síntese protéica pelas células e redução da quebra das proteínas, acentuação da utilização de lipídios e diminuição da utilização de glicose para obtenção de energia, estimulação da reprodução celular (crescimento tecidual) e estimulação do crescimento da cartilagem e do osso.
O GH estimula o fígado a secretar pequenas proteínas chamadas de somatomedinas, ou fatores de crescimento semelhantes à insulina (também IGF-I e IGF-II, de “Insulin -like Growth Factor”). As somatomedinas e o GH atuam em conjunto, acentuando mutuamente seus efeitos .

É sabido que, com o exercício, a liberação de GH é estimulada. Além disso, a quantidade deste hormônio liberada é tanto maior quanto mais intenso for o exercício. O mecanismo pelo qual isso ocorre é que o exercício estimula a produção de opiáceos endógenos, que inibem a produção de somatostatina pelo fígado, um hormônio que reduz a liberação de GH .

O GH é utilizado freqüentemente usado como agente ergogênico exógeno, principalmente entre atletas de modalidades que requerem mais força, como lutadores e os próprios velocistas. Problemas referentes à sua utilização incluem a acromegalia e também casos de morte súbita por parada cardíaca em atletas podendo ainda ter um efeito diabetogênico por estimular as células β das ilhotas de Langerhans a secretar insulina extra.



Hormônio tireóideo

A função do hormônio tireóideo consiste em regular o metabolismo corporal. Esse hormônio também aumenta a síntese protéica e, com isso, a síntese de enzimas, aumenta o tamanho e o número de mitocôndrias na maioria das células, aumenta a atividade contrátil do coração, promove a absorção rápida de glicose pelas células e, por fim, incrementa a glicólise, a gliconeogênese e a mobilização de lipídios, aumentando a disponibilidade de ácidos graxos livres para oxidação como forma de obtenção de energia. O hormônio tireóideo tem papel importante na maturação, estimulando a ossificação endocondral, o crescimento linear do osso e a maturação dos centros ósseos epifisários. Além disso, o T3, especificamente, pode acelerar o crescimento facilitando a síntese e secreção do GH .
Em exercício, a liberação de TSH, que estimula a liberação de hormônio tireóideo, aumenta. No entanto, esse aumento na liberação de hormônio tireóideo não acontece imediatamente depois do aumento da liberação de TSH, pois acontece um atraso. Além disso, durante sessões de exercício submáximas prolongadas, os níveis de T4 permanecem relativamente constantes em aproximadamente 35% a mais do que os níveis de repouso, depois de um pico inicial no começo do exercício, e os níveis de T3 tendem a aumentar .



Glicocorticóides

O cortisol é o mais importante desses hormônios, tem sua liberação influenciada pelo ACTH. Existe muita variabilidade na resposta do cortisol ao exercício em relação ao tipo e intensidade do exercício, nível de treinamento, estado nutricional, entre outros. Pode-se dizer, com mais certeza hoje em dia, que os níveis de cortisol aumentam durante o exercício físico intenso. Em exercícios moderados, no entanto, há ainda muita controvérsia , não sendo possível, por isso, definirmos o papel e alterações nos níveis de cortisol.


Grelina e Leptina


A grelina e a leptina são dois hormônios ligados à obesidade. A grelina atua na regulação do balanço energético a curto prazo e é um estimulante da produção do hormônio GH. A leptina é conhecida como “hormônio da saciedade” e auxilia no aumento do gasto energético. Em situações de exercício físico os níveis de leptina diminuem o que mostra que há também uma gradativa diminuição nas quantidades de células adiposas onde o hormônio é sintetizado.



Glucagon

Sua principal função consiste em aumentar a concentração de glicose no sangue, através da glicogenólise e gliconeogênese hepáticas, por causa disso, ele é denominado o “antagonista da insulina” . A sua secreção é controlada principalmente pelo nível de glicose plasmática do sangue que flui pelo pâncreas. Em situações de jejum ou de exercício, as células alfa são estimuladas, liberando glucagon e imediatamente depois, glicose pelo fígado na corrente sangüínea.
Além dele, contribuem para a elevação da glicose até patamares adequados as catecolaminas e o cortisol. No princípio do exercício, o glucagon é, dentre esses três, o que tem incremento mais rápido, até o 15o. minuto, e depois tende a estabilizar-se . Ainda assim, o mesmo estudo mostrou que, quanto maior a duração do exercício, maior a liberação de glucagon, sendo que em exercícios moderados de curta duração, observa-se uma diminuição nos seus níveis plasmáticos. Apesar de ser claro que os níveis de glucagon aumentam durante o exercício, um estudo demonstrou que o treinamento aeróbico estimula uma liberação mais contínua e com menos oscilações do que aquela ocorrida em indivíduos não-treinados, mas não se descobriu se essa liberação é maior ou menor em um grupo ou em outro , embora os autores demonstrem que, após o treinamento, a liberação de glucagon após o 10o. minuto de exercício é maior do que antes do treinamento.


Insulina

Com efeitos antagônicos aos do glucagon, as concentrações plasmáticas da insulina também são inversamente proporcionais às suas.
Sempre que a insulinemia for alta, os níveis de glucagon serão baixos, e vice-versa. Sua principal função é, portanto, regular o metabolismo da glicose por todos os tecidos, com exceção do cérebro, pelo fato do GLUT 3 não ser dependente desse hormônio. Seus efeitos decorrem do aumento da velocidade de transporte da glicose para dentro das células musculares e do tecido adiposo. Com a captação dessa glicose, se ela não for imediatamente catabolizada como forma de obtenção de energia, gera-se glicogênio nos músculos e triglicerídios no tecido adiposo. Em resumo, o efeito da insulina é hipoglicemiante, ou seja, de baixar a glicemia sangüínea. A insulina normalmente é liberada em ocasiões nas quais existam altos índices de glicose plasmática, como acontece após as refeições.
Como o exercício estimula a liberação de glucagon, e esse hormônio atua de forma antagônica à insulina, esta última tem sua liberação diminuída quando existe trabalho muscular, principalmente como forma de tornar a glicose mais disponível para a atividade. Além disso, as catecolaminas, cuja concentração é aumentada durante o exercício, têm a propriedade de baixar os níveis de insulina. A supressão de insulina é proporcional à intensidade do exercício, sendo que, em exercícios mais prolongados, existe um aumento progressivo na obtenção de energia a partir da mobilização de triglicerídios, decorrente da baixa observada nos níveis de glicose - que foram sendo degradados - e da ação do glucagon, que aumenta .


Endorfina

A endorfina é o hormônio responsável pelo controle da dor e pela sensação de bem estar e é produzido pela hipófise. Sua excreção, em situações de estresse do organismo, como no caso do exercício físico,parece estar envolvida na promoção de um efeito analgésico e também na melhora dos aspectos emocionais.

Pesquisas relatam que em exercícios de baixa intensidade e de resistência, sua concentração não é alterada significativamente. Já nos de alta intensidade, a endorfina tem seus níveis até duplicados no plasma e aumentados no cérebro, agindo sobre o sistema límbico e no lobo pré-frontal, áreas cerebrais responsáveis pelo prazer e pelas emoções.

Dessa forma esse hormônio está relacionado com a euforia sentida pelos atletas após a realização de atividades físicas de alta intensidade e também alguns estudos indicam que está relacionado com o vício pelaprática de exercícios.

Fonte:

http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/v15%20n2%20artigo3.pdf

http://www.totalsport.com.br/colunas/ricardo/ed2800.htm

domingo, 15 de agosto de 2010

Genética do Exercício


O exercício físico traz diversos benefícios, como já citamos aqui no blog e também na nossa apresentação do painel, para pacientes de doenças crônicas como diabetes mellitus, obesidade, hipertensão e dislipidemias. No entanto, a resposta de cada um ao exercício é diferente, indicando que fatores genéticos também estão envolvidos nos processos metabólicos decorrentes do exercício.
Estudos na área genética têm possibilitado identificar genes que parecem influenciar fenótipos relacionados com o exercício, sendo que alguns destes genes são do sistema renina-angiotensina (SRA). O SRA é descrito como um eixo endócrino no qual cada componente de uma cascata é produzido por diferentes órgãos, para manter a estabilidade hemodinâmica. Estão identificados no corpo humano dois diferentes tipos de sistemas renina-angiotensina: o circulante, descrito há bastante tempo, e o local, descrito mais recentemente e que parece desempenhar papel importante na homeostase circulatória.

A partir dos anos 1990, começaram a descobrir alguns polimorfismos no SRA, entre eles estão o da enzima conversora de Angiotensina II (ECA), do angiotensinogênio (AGT), entre outros.

Polimorfismo do gene da ECA
O gene da ECA localiza-se no cromossomo 17 o seu polimorfismo corresponde à inserção (alelo I) ou deleção (alelo D) de 287 pb no íntron 16 do gene. Os indivíduos homozigotos DD possuem mais ECA circulante do que os indivíduos de genótipo DI ou II. Esse aumento da concentração de ECA gera uma maior produção de angiotensina II, responsável pelo controle da pressão arterial ao interargir com os receptores de membrana AT1 e AT2. Assim, esse gene está relacionado à pressão arterial sistêmica e à hipertrofia cardíaca.
Os cientistas, então, procuraram associar esse gene ao exercício físico pelo fato da hipertrofia cardíaca ser um fator comum dos dois. Descobriu-se que indivíduos com o genótipo DD desenvolvem maior hipertrofia ventricular decorrente da alta taxa de trabalho cardíaco no exercício “gene–meio ambiente” cuja influência de uma determinada condição ambiental (exercício) só tem impacto na presença de um determinado genótipo (homozigoto DD, no caso).

Polimorfismo do gene AGT
Estudos do gene do angiotensinogênio (AGT) levaram à identificação de uma mutação resultante da substituição de uma timina por uma citosina na posição 704, no exon 2 do gene do AGT13. Essa alteração gênica leva a uma modificação de aminoácidos na estrutura da proteína, caracterizada pela substituição de uma metionina por uma treonina no códon 235. O alelo T está associado a 20% aumento na produção do AGT sérico.
O aumento na concentração plasmática desse peptídeo pode levar à maior formação de angiotensina II, da mesma forma que no polimorfismo do gene da ECA.

Além disso, o polimorfismo do gene da ECA está relacionado com o desmpenho físico, sendo que os indivíduos com genótipo II ou DI, nos testes efetuados na pesquisa, possuíram melhores resultados no desempenho aeróbio e endurance. Além disso, a presença do genótipo II leva a uma maior eficiência mecânica muscular esquelética em humanos. Resultados semelhantes têm sido verificados em ciclistas, montanhistas, remadores olímpicos australianos,olímpicos ingleses e jogadores de futebol homozigotos II para o gene da ECA.


Fonte: http://portalsaudebrasil.com/artigospsb/fisiolog077.pdf





quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Bons Sonhos para Corredores

Você tem problemas para dormir a noite? Acha difícil relaxar e cair no sono depois de um dia movimentado? Caso tenha problemas para dormir, não está sozinho. De acordo com o "National Commission on Sleep Disorders Research", mais de 40 milhões de americanos têm problemas crônicos de sono, e mais de 20 milhões já experimentaram um período com insônia. A maioria dos corredores acredita que o treinamento proporciona melhor sono (parecemos que estamos prestes a cair no sono na maioria do tempo). Porém, há evidência científica de que atividade física melhore a quantidade e qualidade de nosso sono?
Um estudo sobre exercícios físicos e sono, conduzido na Finlândia, descobriu que 43% dos estudados que exercitaram-se por mais de 3 meses anteriores relataram melhora no sono e somente 1% tiveram detrimento no sono. Além disso, 30% dos estudados que reduziram seus exercícios físicos por mais de 3 meses anteriores relataram redução na quantidade e piora na qualidade do sono, enquanto apenas 4% relataram melhora no sono. Esses resultados certamente apóiam a noção que maior quantidade de atividade física leva à melhoria no sono. Essa evidência deve ser interpretada com cautela, entretanto, já que não sabemos se foi o exercício que melhorou o sono, ou se foi a melhoria no sono que fez essas pessoas quererem praticar mais atividades físicas.

Outro estudo, realizado pelo Ph.D. John Trinder e colegas australianos, comparou os hábitos de sono de corredores de fundo treinados (média de 72 km/semana), levantadores de peso dedicados (12 horas/semana), e sedentários. Os corredores caíram no sono mais rápido depois de irem para a cama e tiveram um sono profundo de maior duração do que os indivíduos dos outros 2 grupos. Em outras palavras, os corredores tiveram um sono mais eficiente, o qual é a taxa da quantidade de tempo que você dorme pelo total de tempo que está na cama. Então, se você tem um sono eficiente, pode descansar em paz sabendo que recuperará algum tempo que gastou correndo ao levar menos tempo para cair no sono.

Como exercício físico promove a melhora no sono?
Ninguém sabe ao certo, porém o mecanismo pode ser uma alteração no equilíbrio entre a atividade do sistema nervoso de simpático e parassimpático. Estimulação do sistema nervoso simpático eleva os batimentos cardíacos, pressão sangüínea, taxa metabólica e atividade mental, e tudo isso é contra-produtivo para dormir. Atividade parassimpática tem efeito oposto. Durante a corrida a atividade simpática aumenta, porém o treinamento de resistência leva à diminuição da atividade simpática e relação à parassimpática quando não está exercitando-se. Essa alteração no equilíbrio das atividades simpática e parassimpática pode nos permitir cair no sono mais rapidamente e dormir mais profundamente. Correr muito perto da hora de ir para a cama, porém, pode deixar o sistema nervoso simpático estimulado por várias horas, o que torna mais difícil cair no sono.
Sono e overtraining
No extremo final do espectro de exercícios, evidências não comprovadas cientificamente sugerem que overtraining interfere com o sono. De volta aos meus dias de maratonista, lembro de estar deitado na cama às 3 da madrugada exausto do treinamento intervalado do dia anterior e pensando sobre os 32 km do dia seguinte. O estresse físico e psicológico de treinar acima do seu limite pode estimular o sistema nervoso central, levando à irritabilidade e redução da qualidade e quantidade de sono. De fato, uma mudança nos hábitos de sono é um sinal de alerta antecipado de overtraining.
A redução do sono é uma faca de dois gumes para o corredor porque grande parte da recuperação e reconstrução do organismo acontece enquanto dormimos. Se você treina forte, precisa ser particularmente cuidadoso em relação a dormir adequadamente, ou poderá ter declínio na performance, depressão do sistema imunológico, e ficar mais susceptível a lesões. Se você dorme bem a maior parte do tempo, porém, não terá que preocupar-se caso tenha problemas para dormir na noite anterior à competição. Não há evidência de que uma única noite de sono ruim prejudique a performance.

Quando você tem dificuldade incomum para dormir, poderá estar treinando forte muito freqüentemente. Você poderá melhorar seu sono facilmente ao pegar mais leve no treinamento e não correr muito tarde no dia. Quanto mais forte for o exercício físico, maior será o estímulo ao seu sistema nervoso, então diminuir a intensidade dos treinos irá provavelmente beneficiar seu sono mais do que diminuir o volume de treinamento. Além disso, se você estiver tendo problemas para dormir, veja se pode identificar qualquer outro fator não relacionado à corrida que poderia contribuir para a sua insônia. Seu novo chefe ou aquela super-taça de sorvete antes de ir para a cama podem ser os culpados. Sonecas também interferem com uma boa noite de sono. Tirar uma soneca pode colocá-lo num ciclo de dificuldade de cair no sono a noite, cochilar de tarde, e então ter problemas para dormir na noite seguinte.

Para melhorar seus padrões de sono, desenvolva e siga uma rotina que funcione para você. A mente e corpo adoram rotinas. Jantar e ir para a cama no mesmo horário aproximado todos os dias irá ajudar o relógio do seu organismo, então seu corpo e mente automaticamente desligarão no mesmo horário cada noite. Evite luzes fortes à noite e abstenha-se de ir para a cama até que esteja pronto para dormir. Então, quando você se deitar, esse será outro sinal para descansar sua mente para dormir.

Bons sonhos!

Fonte: http://www.copacabanarunners.net/sono-para-corredores.html